terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Em teu leito silêncio
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Gotas Secas
Não recebeu as gotas de intensidade
sábado, 28 de novembro de 2009
Turba
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Soneto para Luana...
São Paulo
Não tem santo que a segure
Capixaba
Sim ela é assim
Em qualquer lugar no Brasil
Ela é sim
Nunca não
Luana Bonone
Lua
Ana
Bono
One
Uma
Única
Bela
Flor bela
Flor dela
Ela
Flor do Brasil
Mulher do dia
Amante da noite
Força
Inteligência
Coragem
História
Mulher do samba
Menina do forró
Aquece qualquer noite
Porque tem o borogodó
Foi só pra rimar...
Mas verdade seja dita
De todas, ela é a mais bonita.
Essa não foi para rimar
Mas falando a verdade
O xodó dela é o Ceará
Ela bem sabe
E não quer declarar
Que de todos os encantos
O que ela mais deseja
É o Ceará!
Brincadeira
Ela é do Brasil
E o Brasil é dela
Ela tudo pode
Ela tudo faz
Merece essa singela homenagem
Porque é uma mulher capaz
Amo você Luana
Amo sua amizade
Segue teu caminho de LUz...
Nah do Ceará
sábado, 21 de novembro de 2009
Fragmento de chuva
com o ruído sereno que nos envolve quando,
matreira,
ela desce do céu
anunciando a alegria do sol em férias
domingo, 15 de novembro de 2009
Poesia da Vida
Queria a estrofe de um forró
terça-feira, 10 de novembro de 2009
FAMÍLIA INOCENTE
"FAMÍLIA INOCENTE
Sempre achei que a inocência fosse uma das características infantis a serem preservadas pelos adultos. De repente percebi que minha família é assim.
O pai feliz porque o mundo é belo e prefere sempre confiar primeiro em quem quer que seja. Êta monte de amigos.
A mãe acredita que a felicidade está nas pequenas coisas e esconde alguns pensamentos e sentimentos achando que outros não irão percebê-la.
Toda essa inocência reflete nos filhos, parece espelho, e contagia quem está em volta.
O filho mais velho acha que sabe tudo sobre tudo, que pode mudar o mundo, ainda que não assuma, e também tem um monte de amigos.
O filho do meio adora confiar nos outros, mesmo sabendo que o ser humano é “pouco confiável”, e muitas vezes demoooora para entender a piada ou situação!!
Já a filha mais nova acredita e luta com todas as suas forças, são muitas, para fazer o que é certo e mudar o rumo de uma nação, quem sabe do mundo, mesmo sabendo que a essência humana de fazer primeiro para si jamais mudará.
A nora, recém chegada e muito amada por todos, vem de uma família igualmente inocente. Ela também acha que a felicidade está na simplicidade.
Todos, ainda, exibem algumas características de inocência em comum. Acreditam, lutam, falam, têm uma gostosa teimosia sobre seus pensamentos e AMAM.
Esta manifestação de pensamento (amor) pode parecer romântica e até que a inocência seja algo ruim ou que o mundo não tem mais jeito. Mas tentem pensar em um mundo mais inocente, um mundo de crianças. Acho que seria bem melhor.
A inocência é um dos reflexos do amor.
Sim, podemos mudar o mundo.
Rafael Meneguelli Bonone"
Saudades!!!! Corujamente,
Luana Bonone
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Vileza
Tenho atributos suficientes para ser grande
E muitos até acham que sou!
(parecem não desconfiar da minha ridícula condição)
Eu não devia ser tão ínfima
Não sou mesquinha nem burra
Os mais perceptivos me admiram pela generosidade,
pela abnegação...
Sou nobre, embora de modos simples
Eu não devia ser tão pouco
De tanto que poderia ser
Mas ocorre que tenho defeito incorrigível
Que ultrapassa o medo, a fraqueza
e até a ignorância
Tenho defeito indigno de perdão a qualquer deus
e desprezado por anjos, demônios e poetas
Eu não devia ser tão vil
Mas padeço da pior de todas as desgraças:
pertenço à miserável raça humana!
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Barbas da sensibilidade
Ouço seu grito desesperado perdido em meio à essência das coisas
E subitamente percebo o vermelho da sua imagem a pisotear virtudes e conselhos
Em um movimento brusco e delicado,
Subo às cordas da razão e sacudo as barbas da sensibilidade
Enquanto continua dedicado a massacrar moralidade e decência
Vitimando irremediavelmente toda a hipocrisia
E conferindo ao mundo mais liberdade
Emancipada e plena, sigo em busca do indivíduo que me tornei
Atropelando toda a vulgaridade que o mundo valoriza e deifica
Abandonando tudo aquilo que me lembra quem eu não quero ser mais
Tudo o que me faz pálida e cinza
Ao seu lado, assumo minha condição mais selvagem
E primitivamente aguço olhar, olfato e visão
Enquanto me ensina e aprende a revoltar o mundo e a si mesmo
Encontro a humanidade que não conhecia e da qual tanta saudade sentia
Ao seu lado, tenho instintos, sangue e vísceras
Tenho medo da morte e nenhuma certeza na vida
Perco razão, valores e sobretudo a moral.
E de repente percebo que nunca fui tão humana...!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Saudade da minha poesia
Eram tempos de incerteza
Angústia, decadência e dúvidas
Eram tempos de poesia
Uma paixão desmedida e descabida
sem futuro, passado ou importância
Das que não alimentam sonhos
que não se traduzem em rotina
Uma paixão quase sem paixão
Porque cética, amoral e pontualmente carnal
Tão intensa quanto inóspita
desconexa da vida e das coisas do mundo
Sem momentos românticos ou dramáticos
sem palavras leais ou furiosas
Apenas minha mais íntima poesia
sórdida, autêntica, densa e loquaz
Sinto saudade da minha poesia
da sua cumplicidade decadente com o mundo
me apresentando inteira e despida
à minha própria condição humana
Sinto saudade
da paixão da minha poesia
domingo, 25 de outubro de 2009
Reticências
Dóem
machucam cotidianamente
Antes um ponto final.
Duro, cético...
mas cicatrizante!
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Avesso do Mundo (uma homenagem à vida)
No sabugo do pensamento
(quando pensar chega a doer)
Achei uma ideia engraçada:
E se o mundo girasse ao contrário?
Seriam os poderosos mais humildes?
E os mais humildes?
Teriam direito a um naco de dignidade?
Ah! Melhor ainda...
Se o mundo girasse ao contrário
Talvez não precisasse mais haver ricos e pobres
Apenas homens e mulheres livres
Simples.
Nessa reviravolta do planeta
Com tudo virado e mexido
O povo seria importante para os governos
Quem sabe não pudesse até mesmo participar efetivamente das decisões?
O povo ditando o rumo...!
Se o mundo fosse virado
Eu teria mais filhos
Pois cada criança seria como uma fonte da juventude
Renovando a energia transformadora própria de cada um de nós
Se o mundo fosse mesmo ao contrário
Até gostar seria mais gostoso
Sem cobranças, opressões
Sem todos os (pré)conceitos arcaicos que matam o amor
Gostar seria cuidar, e ponto
Um dia ainda viramos o mundo de cabeça-pra-baixo
Vai doer o sabugo das ideias conceber tudo isso...
Mas há de valer a pena!
Na postagem original: Tô ficando pra tia! É a conclusão que chego ao receber uma maravilhosa notícia de 3 amigos ao mesmo tempo: vão ser papais! Um miniero, um baiano e um paulista. Um blogueiro, um poeta e um jornalista. A vocês três, meus queridos, meus parabéns e uma republicação (peço desculpas aos demais, mas a ocasião exige!)... é que esta poesia que expressa o que lhes desejo diante da mais alvissareira das novidades! Felicidades! ;)
sábado, 3 de outubro de 2009
Conclusões sobre o silêncio
És detentor de todas as características subjetivas que me instigam a vida e a morte hoje
És dono e deus da minha paixão atéia e amoral
Apresentei toda minha franqueza em poesia e súplica
Expus-me inteira e completa em carne e música
Estilhacei-me enquanto a vida não me permitia um átimo de descanso ou paz
E tu?!
Tu limpas a bunda com os papéis da minha poesia...!
As cores do teu inferno
Eu esperava preto-e-branco, ou ao menos uma sensibilidade lilás...
que pudesse amainar um pouco meu vermelho tão intenso
que desse vasão e contraste ao meu espírito revolto,
hóspede e prisioneiro da patética condição humana.
Mas não, és homem mero e comum
e não o demônio que eu supunha
Então que posso esperar?
Não há o que esperar ou desejar
das cores do teu frio inferno azul...!
sábado, 26 de setembro de 2009
Pedaço Perdido
absorta em pensamentos que mal posso recordar...
Concentrada que estava na minha própria introspecção,
acho que deixei pra trás um pedaço de mim...
Procure o meu pedaço perdido
E, ao fazê-lo, vasculhe bem a casa
Veja se não está no interior da gaveta maliciosa
ou dentro do armário discreto
Sobre a cama que pára o tempo
ou sob as caixas de som inebriante
Procure em cada azulejo de saudade do seu banheiro
e até dentro das garrafas que guardam
a essência do norte de Minas no seu bar
E, caso encontre,
fique com o meu pedaço para você.
A esta altura,
acho que ele já lhe pertence mesmo...!
Ansiedade
Um saco de areia...
a cada caneca que se retira,
há mais um balde por esvaziar
Ainda que minha ansiedade seja de mau agouro,
tem a eternidade austera das coisas sacras
Tem a persistência de um trabalhador,
um brasileiro trabalhador
Minha ansiedade é crônica
quase compulsória
E é aguda...
insistente e estridente
qual pirraça de menino
Minha ansiedade é a minha condenação,
por ambicionar do mundo mais intensidade
do que a minha própria poesia pode suportar...!
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
A ansiedade das multidões (2)
é a ansiedade das multidões!
De que outra forma possso descrever
este turbilhão desordenado
de desespero e esperança?
Não é sentimento para um homem só...
Não cabe, não pode caber!
É a ansiedade das multidões
que me invade e arrebata
Que me joga de encontro
à decadente realidade do mundo
E me suga de volta ao inferno das possibilidades
milhões e trilhões de possibilidades frustradas!
Infinitas...
Infinita ansiedade
que tumultua meu reduzido universo
e o expande
com fórceps, com força
com a intensidade das multidões ansiosas...
As multidões anseiam respostas.
Embora talvez nem saibam exatamente a que perguntas...!
A ansiedade das multidões (1)
e da voz pálida com que expresso
minha ausência de sentimentos
O mundo me parece inóspito
e vazio hoje
(o mundo nunca teve sentido ou razão
É ele todo caos e rotina, uma coisa só).
Nestes dias de desespero,
percebo meu mais abominável defeito
que é também minha melhor virtude...
EU SINTO A ANSIEDADE DAS MULTIDÕES
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Aos hipócritas
É isto que me tira o rumo, o prumo
e a prosa
É esta maldita e abençoada cumplicidade
Que me envolve, retorce, engana
e desvenda o mundo
É neste momento eterno
Absolutamente real e inimaginável
Um tempo contraditório com o mundo
com as coisas, com a vida
É no teu leito, teu sagrado leito
onde entreténs com maestria meus demônios
E é agora, ontem e amanhã
(É tudo um tempo só...!)
É este desesperado querer
que toma conta dos meus sentidos, consciência e versos
Que me arrebata
e comete arroubos de ansiedade e despautério sobre a minha razão
É este delicioso e sórdido mistério da cumplicidade
...que os hipócritas não podem entender
Sou teu demônio
tudo que há de mais baixo e grotesco
Sou eu quem explora e expõe tua imundície,
tua imoralidade e tua indecência
Jogo tua vileza, tua violência e toda a tua maldade
contra teu peito
e faço com que cada sentimento mesquinho
se espalhe por tuas entranhas
Desta forma te decifro, apresento-te a ti mesmo
e à tua ridícula condição humana
Sou aquela que te descobre
e que explora absolutamente tudo em ti
que te conhece pelo que tens de mais abominável
que suga cada detalhe sórdido de tua insignificante existência
Sou eu quem absorve toda a tua decadência
Que reviro teu inferno e me entreto e me sacio
com teu desprezo pelo bom e o justo
Sou o demônio da tua cumplicidade contigo mesmo e com o mundo
Que te devora e depois te devolve pior
e melhor...!
Como demônio me alimento dos teus pecados,
teus excessos e tua carne podre
Pela minha natureza abjeta, ninguém me alimenta mais do que ti
Ninguém é mais cúmplice de tuas fraquezas e da tua fúria
Ninguém ama mais a intimidade de tua patética alcova mundana
Sou essa que despreza tudo que há em ti
E que vaga em busca dos teus vermes de pior aspecto
Pois sou demônio que vive de se alimentar desta tua cumplicidade com a realidade decadente do mundo
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Aviso aos navegantes!

1. Janela sobre a palavra - Renatinha Mielli (jornalista, e uma referência para mim)
2. Blog do Miro - Altamiro Borges (idem Renatinha)
3. Conversa Afiada - Paulo Henrique Amorim (dispensa apresentações)
4. Fatos Sociais - Théo Machado (militante da UJS-RJ)
5. Blog do Ivo - Os meninos e o povo no poder - Ivo Braga (diretor da UBES no Ceará)
6. Cozinha do NoSense - Michael Genofre (militante do PCdoB - PR)
7. DêLírios Líricos - Rubinho Berenger (um grande poeta, e muito querido)
8. Luzes Laterais - também é do Rubinho
9. UEE-MG - União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais - É claaarooooo!!! Não podia faltar! ;)
10. UCMG - União Colegial de Minas Gerais (viva os secundas!)
- Amigos-queridos-que-já-fazem-parte-da-minha-família-de-tão-queridos
- Textos, palavras, verso e afins
- Morango com chocolate
- Dançar
- Ver que muitas pessoas leram o que escrevi e deixaram até comentários!
(rsrs... quase um apelo!)
Bom, é isso... e, a propósito, sobre o asterisco lá em cima:
*Ramon Fonseca foi presidente da UEE-MG entre 2002 e 2004 e pela liderança que sempre exerceu, pela referência política que se tornou para mim e pelo carinho que tenho por este jovem, será sempre meu presidente!
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Momento
e a avalanche que me atordoa a cabeça é constituída de pensamentos rasos, ridículos
Há apenas um momento que me faz achar magnífico
ser esta frágil junção de vísceras, sangue e pele...
Um momento tão natural quanto grandioso
e tão necessário quanto desejado...
A palavra paz
insuportável, gera dor física
É quando os sentidos parecem não funcionar para o mundo
Funcionam apenas para agudizar uma dor pungente
que, vindo da alma, toma absolutamente todos os músculos
e os retorce
É neste preciso momento que um certo sorriso me arrebata
e me lança contra a parede da saudade
A violência do encontro
faz respingar mil beijos calorosos
em cada expressão da sua face risonha
E, passada a intensidade,
Vem o momento
em que o verbete "paz" adquire um sentido
que extrapola a burocracia do Aurélio
Primavera
A leveza dessa primavera triste, presa entre o tórrido e o gélido dos dias
A destreza dessa vida infame, tão fulgaz quanto supérflua
Ai de mim que não sou verão ensolarado
Que como primavera me apresento frágil
e hipocritamente alegre
Ai de mim que nunca soube o que é alegria
e que dela dependo para sobreviver
domingo, 16 de agosto de 2009
Saudade tem gosto de melancia
O pão, a nata, a geléia de goiaba
Até as cadeiras e a mesa que não balançou para derrubar meu leite da xícara
Tudo, absolutamente tudo, tem gosto, jeito e cheiro de saudade
Mas uma saudade gostosa, sem angústia ou ansiedade
Recheada de sorrisos que rolam e se espreguiçam sobre as lembranças
Uma saudade que não carrega a tristeza da distância, mas a cumplicidade do encontro
Que se regojiza ouvindo músicas, lendo poemas, vendo fotos, provando sabores familiares
E que até em novas experiências de sabores, sons e cores encontra espaço para lembranças
Entretanto, por mais deliciosa que seja essa minha saudade,
Ainda é saudade...!
E por isso carrega em si a contradição de ser ao mesmo tempo alegre e triste
Por isso, depois que enviar todas as suas músicas
Depois de lhe enviar todos os meus poemas
Depois de ver e rever repetidas vezes todas as fotos,
Venha ao meu encontro
Pegue carona nos meus sonhos ou numa nuvem passageira
Venha pelo leito de um rio, ou de um riso
Mas venha
Pois a xícara de leite não derramado,
o som da água que milagrosamente cai do alto das pedras,
e a minha cumplicidade,
Já estão com saudade
Jurema
Faz poema e não fala de amor
Jurema, tão alegre, parece amarga
Só faz poesia xingando a humanidade
Falando de decadência, medocridade e afins
Jurema é gozada
Vive romantismo e escreve realismo
Ê Jurema...!
Olha que a vida dá o troco, heim!?
Meu silêncio
O grito liberta
O silêncio mata... e salva
O grito explode
O silêncio espera
O grito desespera
Meu silêncio não traz paz
É agitado, nervoso e torturante
Meu silêncio não tem serenidade ou tranqüilidade
E meu grito... é de alívio!
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Detalhes em vermelho e cinza
Que rangem descompassadas gritando a insignificância da vida
Meus pensamentos desesperados criam enorme tumulto em minha cabeça
enquanto minha poesia aparece como o sorriso do gato de Alice,
sempre por ali... sempre ciente de tudo.
As engrenagens se desencaixam e rompem as veias do meu cérebro
Em um derrame inebriante assisto ao baile das multidões
que destroem o mundo freneticamente,
um vício doentio e insuperável
Como uma música que perdeu a melodia,
ouço os gritos desesperados emitidos pela lucidez dos dias.
Ignoro-os.
Em meio ao balé alucinado,
percebo uma nuvem com formato de caos...
quem se importa¿
Detalhes são chatos.
E então todo o vermelho do mundo despenca sobre meu teto
Estrondos de vermelho, escombros de teto
Mania de cinza
Tudo se acalma cinza...
E aí já posso voltar à vida... mais cinza do que nunca...!
Avesso do mundo
(quando pensar chega a doer)
Achei uma idéia engraçada:
E se o mundo girasse ao contrário?
Seriam os poderosos mais humildes?
E os mais humildes?
Teriam direito a um naco de dignidade?
Ah! Melhor ainda...
Se o mundo girasse ao contrário
Talvez não precisasse mais haver ricos e pobres
Apenas homens e mulheres livres
Simples
Nessa reviravolta do planeta
Com tudo virado e mexido
O povo seria importante para os governos
Quem sabe não pudesse até mesmo participar efetivamente das decisões?
O povo ditando o rumo...!
Se o mundo fosse virado
Eu teria mais filhos
Pois cada criança seria como uma fonte da juventude
Renovando a energia transformadora própria de cada um de nós
Se o mundo fosse mesmo ao contrário
Até gostar seria mais gostoso
Sem cobranças, opressões
Sem todos os (pré)conceitos arcaicos que matam o amor
Gostar seria cuidar, e ponto
Um dia ainda viramos o mundo de cabeça-prá-baixo
Vai doer o sabugo das idéias conceber tudo isso...
Mas há de valer a pena!
MSN
Fui buscar palavras
Para marcar um espaço, um pedaço do seu dia...
Vazio.
Fui catando cada verbete solto
Cada palavra não dita
Cada presença não tida... Vazio
Fiquei vazia.
Fechei a janela.
Fechei sua ausência mecanizada
Mas ela se fez mais forte (feroz)
Quando a ausência se fez tão presente
a palavra veio à tona
Forte e decidida
Transformou-se em carga elétrica
promoveu sinapses
movimentou músculos
Meus dedos estremeceram
agitaram-se
E digitaram de forma inequívoca:
"Eu quero você"
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Mentiras sobre o silêncio
A paz do silêncio é uma falácia
É nele que se ouvem os gritos angustiados de todos os desejos frustrados
Um turbilhão de sons e sentidos
Linchando, pisoteando, atropelando qualquer possibilidade de horizonte plácido
Qualquer resto de malfadada esperança
Marcando assim minha sentença de vida incompleta
(embora desejosa de intensidade)
Ao fim, só preciso dormir
Demônios
Nesta insuportavelmente grande cidade, vagam medíocres demônios desesperados por alguma violência ou vício que lhes permita extravasar seus sentimentos mais torpes e vis...
Enquanto meus desajustados demônios lambuzam-se de humanidade (pobres deles!), e são impregnados de caos e derrota na sua incessante e vã busca pela malemolência que sucede a fúria
Eles sabem que neste mundo não há resposta para suas ridículas aflições.
Eles sabem que outros mundos não há.
Perfeição
Todas as formas simétricas
Todas as medidas exatas
Todos os sentimentos reprimidos
Todas as palavras corretas
Todas as tarefas bem feitas
Todas as opiniões não expressas
Todas as amenidades
Toda a estética superficial
Toda a mediocridade
Todas as leis cumpridas
Todos os limites respeitados
Todas as pessoas conformadas
Todas as mulheres submissas
Todas as crianças palidamente bem-comportadas
Nenhum homem feliz.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Abissal
Minha alma está prostrada sobre um mar de ceticismo
Que produz imensas ondas de caos
Elas são gigantes... e fortíssimas!
A espuma com aspecto absurdo
Explode na arrebentação da minha lucidez
(minha trágica e odiosa lucidez)
Quisera eu ignorar as coisas todas do mundo
Como os peixes que habitam a profundidade abissal
Desconhecem o mundo e, ao mesmo tempo, o conhecem por inteiro
Pois que o mundo não lhes passa de uma profunda escuridão
Sem mistérios, ciências e hipócrita preocupação com o meio-ambiente
Apenas a pastosa escuridão
Densa, segura
E garantidora de sua sábia ignorância
Eu invejo as criaturas abissais
Sempre sonhei me alienar do mundo e sua decadência
Sempre quis me alienar de mim (da minha insignificância)
Anseio, sobretudo, me alienar desta coisa soberba e mesquinha
a que chamamos humanidade
A minha Salvador
Mas era uma cidade comum
Com capoeira, balangandãs e orixás...
mas ainda apenas uma cidade
Quente, cheia de pontos turísticos
mas uma cidade apenas.
Ocorre que a percepção de um lugar é também a percepção de um momento
Tempo e espaço são uma coisa só
(cientistas com poderosa capacidade de abstração já explicaram isso)
A vida me apresentou então uma Salvador lindíssima
Embora com todos os elementos conhecidos pelos milhares e milhões de turistas
que já tiveram a oportunidade de conhecer seu carnaval, seus santos e seu acarajé
Embora com as mesmas cores e formas que todos os gringos do mundo (e do Brasil) enxergam no Pelourinho
Uma Salvador completamente diferente... uma Salvador só minha!
Então meus sentidos, já esvoaçantes, completamente livres, de repente paralisaram
Como estivessem presos n'algum tipo de gaiola, ficaram imóveis
Ainda não sei de atônitos diante da beleza da vida, da cidade
Ou mesmo receosos de estragarem tão raro momento com algum movimento mais brusco ou algum som demasiadamente humano
Diz-me que não é pecado ser tão feliz!
Mas se disseres que é, confesso minha condição de contraventora das leis divinas
Entretanto, faço-o convicta da minha opção de valorizar a felicidade humana, que julgo mais pagã que profana
Pois o prazer de um momento feliz ignora a existência de Deus... ignora a existência do próprio mundo
Conhece apenas a experiência do gozo e não possui preocupações divinas... e nem mundanas
É que a felicidade é tão plena quanto pontual
Um momento de felicidade é como um recém nascido:
ignora completamente o mundo, embora todo o mundo pareça estar completamente concentrado apenas na sua existência
Talvez por isso nosso imaginário aproxime a loucura da felicidade
(A felicidade e a loucura carregam o mesmo grau de pureza e ingenuidade)
pois ambos desconhecem ou simplesmente desconsideram o mundo e toda a sua decadência
Claro, falo dos loucos romantizados pela nossa vontade de vislumbrar uma saída,
uma válvula de escape à loucura social (real e decadente) em que vivemos
E mesmo que por sentimento nobre ou altruísta eu quisesse dividir esta minha Salvador com o mundo,
não seria possível
Pois a dimensão da percepção de um momento-espaço é completamente individual
Intransferível
Fui feliz em Salvador
É uma pena saber que nunca mais conseguirei voltar lá
(àquela cidade presa no momento que não consigo descrever)
Mas a lembrança viva daquela Salvador certamente será trilha para a descoberta de novas capitais dentro de mim...!
Beleza triste
Luta e canta sua cultura
Capoeira lenta
Jogada no chão
O lamento da capoeira angola
É de saudade e libertação
Pássaro negro, vistoso
Canta triste e lindamente
Pássaro preso
Destituído de visão
O canto do assum preto
É de saudade e conformação
Idéias desvairadas, desconexas
E o semblante repleto de uma alegria muito triste
Vaga entre sentimentos confusos
E infundados, seja euforia ou depressão
Os olhos incompreensíveis do louco
São também de saudade, e alienação
Ouvi dizer que toda beleza é triste
Contestei veemente
(Tenho lembrança de belezas mui alegres)
A saudade decepou minha convicção
Descobri que a saudade é a própria contradição da alegria
Ela vem dentro da felicidade
Camuflada atrás de um sorriso
Ou de um olhar mais profundo
Dança entre os dedos que acariciam
Espreita cada sussurro
Saudade tem "xero"
Bela e triste,
Foi ela quem me provou a sabedoria do amigo poeta
Derrubou um bocado de certezas que eu tinha
E me fez querer um pouco mais de sol
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Mimetismo
São as mesmas que se entranham em minhas malemolentes vísceras
E caracterizam a indiferença deste domingo cinza-tédio
Enquanto abominava o retrato azedo da apatia humana
Uma fração de gesto impetuoso arrebatou minha lucidez
E fez explodir cores em todas as coisas
Cores absolutamente intensas, cores ruidosas
De mim transbordaram sensações igualmente multicores
Mimetizei-me
E gozei a plenitude de me confundir com o mundo
Inquietude
E os frenéticos dedos incessantes
Rabiscam insanamente palavras absurdas
Letras agitadas, esbaforidas e perdidas
Versos como prosa e "vice-verso"
É quando a alma quer sair da carne
Quando quer ganhar o mundo
e ao mesmo tempo deixá-lo pra trás
É quando o sentimento não cabe no corpo
O sentido não cabe nas palavras
E o significado tampouco cabe na lógica
É quando finalmente começo a entender as coisas do mundo...
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Genealogia da Saudade
Não é possível ser medida em quilômetros frios
A insuportável distância que se figura como elemento adverso de uma paixão
É madrinha legítima da saudade
A saudade, por sua vez, é a síntese mais expressiva da contradição da vida.
(A mais absoluta)
É filha direta da tristeza e da felicidade
Da tristeza de ser pretérito e da felicidade tão bem guardada na lembrança
Por tão contraditória e insistente, saudade ganhou uma irmã.
A criança se chama esperança e guarda em si a expectativa viva de um novo momento feliz
Um momento inteiro, pleno. E repleto de possibilidades!
A Jean Cocteau (e ao CUCA-RJ)
O impossível não se pede
É feito por nós mesmos
Longe das limitações e medos mundanos
Longe da descrença do mundo em sua própria humanidade
O impossível não é aquilo que ninguém pode realizar
É o que ninguém ousou conquistar
É feito mais de raça que de sonho
Suor e sangue mais que devaneios
O impossível não se sente, não se toca, não se vê
É palavra morta na cabeça dos racionais (os lógicos!)
É sentença de vida a quem deseja mais que o medíocre
O impossível é desafio
E superação não é palavra de indivíduo
(Não tem homem sozinho que possa com aquilo que não se pode)
É trabalho de homem coletivo
É sabedoria de quem já aprendeu com a vida
E concluiu que força e soma são como que uma coisa só
O impossível é bom
As coisas do mundo
E o até o ser humano
Podem ser bons também
Ruim é essa coisa que limita e desune
Essas opressões todas que tornam o impossível tão hermético
E a vida tão cinza
(OBS.: Por meio do CUCA-RJ descobri que Jean Cocteau é um cara genial, autor da seguinte frase: "Não sabia que era impossível, foi lá e fez!" Achei magnífico! Daí a homenagem...!)
Paradoxo
Me vi buscando verbetes, palavras, termos e significados
Dicionário nenhum me servia Lembrança qualquer me surgia
Continuei remexendo a gramática dos versos
Procurando em cada semântica um sucesso
Qual nada! Fracasso e retrocesso!
Corri, gritei, simpatia rezei
Pulei, xinguei, urrei e cansei
Li, reli, refiz, e li... e fiz de novo
Li, reli, amassei, reli, rasguei... tudo outra vez!
A saga do poeta é em busca do irretocável verso
Da construção ideal, que se encaixa com precisão e suavidade dentro do poema
Dentro do ritmo, dentro da rima, dentro da idéia e do sentimento do homem
A tristeza de qualquer poeta é a mesma alegria
É a busca eterna e incessante de escrever o inexpressível
É o que o move cotidianamente
É o que o paralisa continuamente
É o que faz o poeta querer viver
E o que o leva a um desespero de morte em vida
Triste saga cumpre o poeta em busca da felicidade,
(tão inalcançável quanto indesejável)
Eterna saga