quarta-feira, 15 de junho de 2016

Ausência

Eu não sou constante
Sou movida por ansiedades,
esse motor de vontades
que ignora o tempo,
o caminho a percorrer
e outras inconveniências

Eu sou instante
Então nossos versos permanecem em suspenso.

Qualquer dia os concretizamos
Ou os contemplamos na ausência,
que ela também é poesia

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Convulsões


Convulsões se espalham pelo mundo e latejam em meu corpo
Aleatórias e intensas, impõem sua presença caótica sobre a serenidade dos dias
Arrebatam a tranquilidade dos homens, sequestram a CLT
Solapam regras e sentidos, abrindo espaço para o imponderável
O intolerável, o absurdo
O clímax

Rumo, prosa, rima, prumo, tudo em desordem
O caos é a nova ordem
Vilezas são virtudes, despautérios são coragem
Resistência

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Querência













Hoje eu quero correr infernos
espalhar indecências
explodir meu corpo contra a boçalidade dos dias
Exprimir toda a sordidez da natureza humana
e encontrar meus demônios (todos!)

Hoje quero degradar a moral, a saúde e os versos
extravasar o indizível
arrebentar certezas nas contradições cotidianas
explodir... (mil vezes)

Hoje eu quero ser livre.

segunda-feira, 14 de março de 2016

COURAÇA

Quando lasca a chibata
no fundo da alma
e o couro corta
o sangue e as lágrimas vertem
desfecho inevitável

Mas não se afobe tão cedo
o fim não chegou (não é tempo de rendição)
as feridas se cicatrizam,
as lágrimas secam
e endurecem a couraça por onde correram

terça-feira, 1 de março de 2016

Poluentes

Paixões não vividas
produzem gás carbônico na alma.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Precipitação

Eu me precipito
Condenso
Viro chuva e caio fria sobre os dias
Despenco de alturas absurdas (curto a queda)
Explodo sobre o concreto
Respingo gotículas de intensidade
Que logo evaporam... novo ciclo

In-ten-si-da-de

.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Olhos verdes dos meus olhos

Saudosa quimera já era o furor
Esse catalisador de lascívia e ternura
Sintetizador de sentimentos e sensações

Carregava o fardo de dias pardos
Ocres e acinzentados
Cobrindo de poeira e mofo a beleza de gostar
Secando o viço latejante do sorriso aberto

Então me veio seu olhar
Sorrateiro e a miúde
Se esgueirando entre montanhas e muros
Sem estrondo, sem pressa, sem rumo
Como uma aventura (inteiramente nova...!)

E foi ali
No profundo dos olhos verdes dos meus olhos
Que encontrei o furor perdido
(Arrebatada, assisto meu vermelho se rir por inteiro em ti)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Banzo

Hoje acordei em desespero, em meio a furacões, trovoadas e muito fogo
Quisera um colo de mãe ou irmã
Quisera tempo para pedir colo
Quisera ser forte para estar ao lado
Abomino minha própria ausência enquanto desejo dias melhores
Viva as lembranças da infância!
Que elas nos façam mais crianças em meio às atribulações de um cotidiano pouco amistoso
Mas curta esse banzo, meu amor... só por hoje
Amanhã é dia de renovação

domingo, 8 de abril de 2012

Quando virei dona de mim
perdi uma parte do mundo.