segunda-feira, 3 de maio de 2010

Branco púrpura

Quando não sinto sou cinza
bege...
gelo
E outras cores sem cor

Mas quando sou alma
até o meu branco é púrpura

terça-feira, 30 de março de 2010

Egoísmo


Não escrevo para a vastidão do mundo
Para a universalidade das coisas
Para o sentimento do homem...
É tudo mentira!

Escrevo para mim mesma
Para a mesquinhez do que sinto
Para a mediocridade do que penso
Para meu sentimento mais egoísta e vil

Escrevo para desabafar
O que nunca foi abafado
Pata libertar
O que nunca foi realmente preso

Escrevo para me expandir,
me espalhar em verso e ritmo
sobre tudo o que abomino
tudo o que admiro
tudo uma coisa só

Escrevo para me achar no mundo
e me perder em mim mesma
Para procurar o mundo
e me perder de mim

Escrevo porque sou... é só

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sangue, vísceras e cartilagem

















Não tenho gosto refinado
Das coisas suaves e amenas
Com toques e pitadas pequenas
De absoluta futilidade

Tenho, antes, sabor intenso
E um gosto quase depravado
Imoral, chulo,
Violento e desumanizado

Tenho gosto pelas entranhas,
por coisas estranhas...
Sangue, vísceras e cartilagem
Meu reino por tua língua!
Tua língua em minha malandragem

Tenho gosto pelo teu gosto
ácido, doce e salgado
Tenho o rosto sobre teu rosto
teu sorriso, teu semblante cansado

Desaba sobre mim
Inteiro, franco e amado
Expõe ao mundo
Conta à vida
Avisa a todos
Que não se nega o meu chamado

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Em teu silêncio
















Em teu abraço misterioso
Entrego, cega e moca, a serenidade de meus dias

Envolta em tua densa sabedoria (suposta)
Largo meus membros frouxos e pensamentos soltos

Estende teu imenso e calmo colo
onde deito meu corpo e sentidos
(agora tão distantes)

E só assim, completamente entregue,
consigo reconhecer a humanidade em mim
(há muito perdida)

O leito do silêncio é a cama que conforta a ignorância
do mundo e dos homens
Posto que aliena e dá conhecimento,
a um só tempo,
dos sentimentos do homem
e das coisas do mundo

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Poesia sem som


O silêncio é poesia concentrada, comprimida, compactada
Poesia em potencial,
pronta para explodir em grito
sem som
sem moral
sem medo
sem rumo


O silencio é a própria poesia
expressa o que as palavras não podem
(não sabem)
É a máxima expressão do inexpressível
O sopro de incompreensão que identifica o desconhecido
o inalcançável
o espetacular
e o absurdamente banal


Sábio e poeta,
o silêncio é a mais segura (e incerta) estrada
para o impossível
e para todas as possibilidades


Denso e severo, é o mais curto (e longo) caminho
para chegar em si mesmo

sábado, 2 de janeiro de 2010

Sobre a carcaça da humanidade


Avançavam violentamente
sobre a carcaça podre

Uns para algum tipo de ritual
não muito racional, porém solene
Outros para lhe comer a carne putrefata
A fim de alimentar sua própria vileza
e todo o seu desespero




Lutavam primitivamente
Arrancando mutuamente sangue, vísceras
e cartilagem
Constatando a fragilidade da vida na morte
Banalizando uma e outra



Comiam-se como quem ama
Matavam-se como quem come
Odiavam-se com poesia...
e muita frieza

Encontravam-se destituídos de todo e qualquer sentimento
Solidariedade, amor, compaixão... ódio
Nem um ódio visceral!
Eram apenas necessidade e instinto




Estavam absolutamente desumanizados...
E nunca foram tão humanos!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Em teu leito silêncio


Para o Ano Novo, um companheiro muitas vezes necessário e geralmente conselheiro: o silêncio. Que 2010 seja estupendo!





Em teu abraço misterioso
Entrego, cega e moca, a serenidade de meus dias

Envolta em tua densa sabedoria (suposta)
Largo meus membros frouxos e pensamentos soltos

Estende teu imenso e calmo colo
onde deito meu corpo e sentidos
(agora tão distantes)

E só assim, completamente entregue,
consigo reconhecer a humanidade em mim
(há muito perdida)

O leito do silêncio é a cama que conforta a ignorância
do mundo e dos homens
Posto que aliena e dá conhecimento,
a um só tempo,
dos sentimentos do homem
e das coisas do mundo

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Gotas Secas




Não recebeu as gotas de intensidade
do fragmentos de chuva que lhe enviei?
...eu recebi sua mala de não-respostas
e as várias páginas das suas cartas branco-gelo

O silêncio é uma bela música
quando testemunha a cumplicidade do encontro
Mas compõe tediosa melodia
se orquestrado para consolidar uma distância

Mas não se impressione com estes versos
(e nem fantasie qualquer medo assim tão cedo)
que eles não têm intenção de escrever qualquer história...
Existem unicamente para o meu próprio deleite,
para gozar o mágico e delicioso processo
de me confundir com o mundo!

sábado, 28 de novembro de 2009

Turba




Tantos e tão surpéfluos...
Com seus cotidianos mesquinhamente grandiosos
E seus feitos absurdamente comuns

E falam, falam, gritam e vociferam
absolutamente nada

Cansei da turba que se impõe escandalosa
Mil vezes o silêncio estrondoso da tua poesia...!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Soneto para Luana...

Porque a Nah é linda...! E ela escreveu:



Minas Gerais
Meninas Gerais
São Paulo
Não tem santo que a segure
Capixaba
Sim ela é assim
Em qualquer lugar no Brasil
Ela é sim
Nunca não
Luana Bonone
Lua
Ana
Bono
One
Uma
Única
Bela
Flor bela
Flor dela
Ela
Flor do Brasil
Mulher do dia
Amante da noite
Força
Inteligência
Coragem
História
Mulher do samba
Menina do forró
Aquece qualquer noite
Porque tem o borogodó
Foi só pra rimar...
Mas verdade seja dita
De todas, ela é a mais bonita.
Essa não foi para rimar
Mas falando a verdade
O xodó dela é o Ceará
Ela bem sabe
E não quer declarar
Que de todos os encantos
O que ela mais deseja
É o Ceará!
Brincadeira
Ela é do Brasil
E o Brasil é dela
Ela tudo pode
Ela tudo faz
Merece essa singela homenagem
Porque é uma mulher capaz
Amo você Luana
Amo sua amizade
Segue teu caminho de LUz...

Nah do Ceará



(agora fiquei encabulada... rsrs... mas achei tão lindinho ela escrever, então tá aí!)