terça-feira, 19 de abril de 2011

Intangível


A assustadora materialidade do intangível
desperta e revela
tudo aquilo que se esconde atrás do medíocre
sob o guarda-chuva do cotidiano

A concretude aterradora do intocável
revela-se pelo mais vil dos atritos
destituído de moral e valores
e repleto de vida

A temperatura macia do tremor
que arrebata a realidade
em um lampejo que mistura temporalidades
torna o eterno jocosa quimera
Absolutamente impotente
diante da força do imponderável

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Incandescente


Depois de passada a chuva
um sol com cor de liberdade
jogou seus raios sobre mim
e minha emancipação se fez concreta

Um brinde à efemeridade perene das paixões

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Quem é teu deus?

Quem é teu deus?
Um bom velhinho barbudo que diz coisas sábias
Um severo senhor que lhe pune os pecados
Um ente etéreo e distante que está acima de tudo e todos
mas conhece a cada um em sua intimidade...?


Quem é teu deus?
Uma unidade trinda de entes estranhos e fantásticos
Uma força tão poderosa quanto inalcançável
Uma onisciência que ao mesmo tempo te conforta, amedronta
e passa indiferente pelos teus dias...?

Quem é teu deus, senão tu mesmo e a intolerável vaidade humana?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Papel



Precisei me expandir em papel
que já não cabia mais em mim

Precisei de grafites e cores,
riscos, rabiscos, lápis , caderno
E a mais trabalhosa
de todas as matérias-primas,
a palavra

Precisei de ideias em cores,
caixas de pensamentos
e uma resma de rimas

Precisei cair do mundo
Como quem se estatela no chão
ao descobrir sua essência

Pesada, flácida e atônita

Precisei ser eu mesma
aos poucos e em pedaços
Abdicando da inteireza da vida
Explorando o simbolismo do verbo

Precisei explodir em papel
Que já não caibo mais na vida

domingo, 4 de julho de 2010

Olhos do acaso

Seguia tranquila meu caminho pelo acaso
Enquanto a vida traçada dos meus dias se perdia em incertezas
Corri amores, mergulhei sofrimentos, saltei possibilidades
E parei. Atônita.

De repente me dei conta do mundo
E de que cada segundo é uma vida inteira

Me dei conta de você
E de cada pedaço de alegria que podemos decidir viver
considerando possibilidades, oportunidades, sonhos e paixões
Mas, sobretudo, contemplando seus olhos

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Versos e fluidos

Se em verso rio de prazer
Já em prosa me aproximara de você
Despretensiosa e cheia de malícia
Como a vida e os acasos

Se me pego desejosa a escrever
Já previa este vício me sorver
Maliciosa e cheia de carícia
Como os versos e a vida

Se me deixo por este jogo envolver
Já vencendo eu queria me perder
Ansiosa e cheia de angústias
Como os acasos e os meus versos

E já despida dos versos regrados
Já desvairada em meus medos errados
Só queria extravasar as retidões
as razões
as paixões
e toda a mesquinhez humana
em versos e fluidos

sábado, 8 de maio de 2010

Quinhão

Guerreira sem cor
Murcha e xoxa
Com a vida frouxa
Sem sonhar com amor

Alma grande sem feição
Chorosa e mesquinha
Sem rumo nem linha
Sem viver grande paixão

Mulher forte só por fora
Suas batalhas e alegrias
eu bem sei que fingia
(que por dentro só chora)

Menina, ouve com atenção
Que não vou repetir
Quem tem pena de si
não constrói seu quinhão...!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Branco púrpura

Quando não sinto sou cinza
bege...
gelo
E outras cores sem cor

Mas quando sou alma
até o meu branco é púrpura

terça-feira, 30 de março de 2010

Egoísmo


Não escrevo para a vastidão do mundo
Para a universalidade das coisas
Para o sentimento do homem...
É tudo mentira!

Escrevo para mim mesma
Para a mesquinhez do que sinto
Para a mediocridade do que penso
Para meu sentimento mais egoísta e vil

Escrevo para desabafar
O que nunca foi abafado
Pata libertar
O que nunca foi realmente preso

Escrevo para me expandir,
me espalhar em verso e ritmo
sobre tudo o que abomino
tudo o que admiro
tudo uma coisa só

Escrevo para me achar no mundo
e me perder em mim mesma
Para procurar o mundo
e me perder de mim

Escrevo porque sou... é só

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sangue, vísceras e cartilagem

















Não tenho gosto refinado
Das coisas suaves e amenas
Com toques e pitadas pequenas
De absoluta futilidade

Tenho, antes, sabor intenso
E um gosto quase depravado
Imoral, chulo,
Violento e desumanizado

Tenho gosto pelas entranhas,
por coisas estranhas...
Sangue, vísceras e cartilagem
Meu reino por tua língua!
Tua língua em minha malandragem

Tenho gosto pelo teu gosto
ácido, doce e salgado
Tenho o rosto sobre teu rosto
teu sorriso, teu semblante cansado

Desaba sobre mim
Inteiro, franco e amado
Expõe ao mundo
Conta à vida
Avisa a todos
Que não se nega o meu chamado