sábado, 21 de novembro de 2009

Fragmento de chuva


Haja chuva para alimentar toda essa vontade,
com o ruído sereno que nos envolve quando,
matreira,
ela desce do céu
anunciando a alegria do sol em férias

domingo, 15 de novembro de 2009

Poesia da Vida




Queria a estrofe de um forró
Para singela e doce falar do meu amor
Um só verso de qualquer Vinícius
Para a grandiosidade do que quero sentir

Quero a sensibilidade de olhos verdes
Que adentra a alma feminina
E desvenda o Brasil
Como só um Francisco pode desaguar

Quero enfim arrebatar a vida e as paixões
Na estrela de Clarice
No sofrimento de Florbela
Na simplicidade de Cora
E na emancipação de Elisa

Quero guardar em mim
Todos os sentimentos drumonianos
E libertar versos a cada poesia vivida

terça-feira, 10 de novembro de 2009

FAMÍLIA INOCENTE


Pois meu irmão também resolveu escrever... e eu fiquei absolutamente encantada com a sensibilidade dele, portanto, divido-a com o mundo! (imagem: "A família", de Tarsila do Amaral, 1925)



"FAMÍLIA INOCENTE


Sempre achei que a inocência fosse uma das características infantis a serem preservadas pelos adultos. De repente percebi que minha família é assim.

O pai feliz porque o mundo é belo e prefere sempre confiar primeiro em quem quer que seja. Êta monte de amigos.

A mãe acredita que a felicidade está nas pequenas coisas e esconde alguns pensamentos e sentimentos achando que outros não irão percebê-la.

Toda essa inocência reflete nos filhos, parece espelho, e contagia quem está em volta.

O filho mais velho acha que sabe tudo sobre tudo, que pode mudar o mundo, ainda que não assuma, e também tem um monte de amigos.

O filho do meio adora confiar nos outros, mesmo sabendo que o ser humano é “pouco confiável”, e muitas vezes demoooora para entender a piada ou situação!!

Já a filha mais nova acredita e luta com todas as suas forças, são muitas, para fazer o que é certo e mudar o rumo de uma nação, quem sabe do mundo, mesmo sabendo que a essência humana de fazer primeiro para si jamais mudará.

A nora, recém chegada e muito amada por todos, vem de uma família igualmente inocente. Ela também acha que a felicidade está na simplicidade.

Todos, ainda, exibem algumas características de inocência em comum. Acreditam, lutam, falam, têm uma gostosa teimosia sobre seus pensamentos e AMAM.

Esta manifestação de pensamento (amor) pode parecer romântica e até que a inocência seja algo ruim ou que o mundo não tem mais jeito. Mas tentem pensar em um mundo mais inocente, um mundo de crianças. Acho que seria bem melhor.

A inocência é um dos reflexos do amor.

Sim, podemos mudar o mundo.

Rafael Meneguelli Bonone"
 
Saudades!!!! Corujamente,




Luana Bonone

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Vileza

Eu não deveria ser patética
Tenho atributos suficientes para ser grande
E muitos até acham que sou!
(parecem não desconfiar da minha ridícula condição)

Eu não devia ser tão ínfima
Não sou mesquinha nem burra
Os mais perceptivos me admiram pela generosidade,
pela abnegação...
Sou nobre, embora de modos simples

Eu não devia ser tão pouco
De tanto que poderia ser

Mas ocorre que tenho defeito incorrigível
Que ultrapassa o medo, a fraqueza
e até a ignorância
Tenho defeito indigno de perdão a qualquer deus
e desprezado por anjos, demônios e poetas

Eu não devia ser tão vil
Mas padeço da pior de todas as desgraças:
pertenço à miserável raça humana!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Barbas da sensibilidade

Lateralmente me aprofundo na verticalidade do seu sentimento-abismo
Ouço seu grito desesperado perdido em meio à essência das coisas
E subitamente percebo o vermelho da sua imagem a pisotear virtudes e conselhos

Em um movimento brusco e delicado,
Subo às cordas da razão e sacudo as barbas da sensibilidade
Enquanto continua dedicado a massacrar moralidade e decência
Vitimando irremediavelmente toda a hipocrisia
E conferindo ao mundo mais liberdade

Emancipada e plena, sigo em busca do indivíduo que me tornei
Atropelando toda a vulgaridade que o mundo valoriza e deifica
Abandonando tudo aquilo que me lembra quem eu não quero ser mais
Tudo o que me faz pálida e cinza

Ao seu lado, assumo minha condição mais selvagem
E primitivamente aguço olhar, olfato e visão
Enquanto me ensina e aprende a revoltar o mundo e a si mesmo
Encontro a humanidade que não conhecia e da qual tanta saudade sentia

Ao seu lado, tenho instintos, sangue e vísceras
Tenho medo da morte e nenhuma certeza na vida
Perco razão, valores e sobretudo a moral.
E de repente percebo que nunca fui tão humana...!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Saudade da minha poesia

Sinto saudade da minha poesia...

Eram tempos de incerteza
Angústia, decadência e dúvidas
Eram tempos de poesia

Uma paixão desmedida e descabida
sem futuro, passado ou importância
Das que não alimentam sonhos
que não se traduzem em rotina

Uma paixão quase sem paixão
Porque cética, amoral e pontualmente carnal
Tão intensa quanto inóspita
desconexa da vida e das coisas do mundo

Sem momentos românticos ou dramáticos
sem palavras leais ou furiosas
Apenas minha mais íntima poesia
sórdida, autêntica, densa e loquaz

Sinto saudade da minha poesia
da sua cumplicidade decadente com o mundo
me apresentando inteira e despida
à minha própria condição humana

Sinto saudade
da paixão da minha poesia

domingo, 25 de outubro de 2009

Reticências

As reticências da sua existência pesam no meu ser
Dóem

machucam cotidianamente


Antes um ponto final.
Duro, cético...
mas cicatrizante!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Avesso do Mundo (uma homenagem à vida)


No sabugo do pensamento
(quando pensar chega a doer)
Achei uma ideia engraçada:
E se o mundo girasse ao contrário?

Seriam os poderosos mais humildes?
E os mais humildes?
Teriam direito a um naco de dignidade?

Ah! Melhor ainda...
Se o mundo girasse ao contrário
Talvez não precisasse mais haver ricos e pobres
Apenas homens e mulheres livres
Simples.

Nessa reviravolta do planeta
Com tudo virado e mexido
O povo seria importante para os governos
Quem sabe não pudesse até mesmo participar efetivamente das decisões?
O povo ditando o rumo...!

Se o mundo fosse virado
Eu teria mais filhos
Pois cada criança seria como uma fonte da juventude
Renovando a energia transformadora própria de cada um de nós

Se o mundo fosse mesmo ao contrário
Até gostar seria mais gostoso
Sem cobranças, opressões
Sem todos os (pré)conceitos arcaicos que matam o amor
Gostar seria cuidar, e ponto

Um dia ainda viramos o mundo de cabeça-pra-baixo
Vai doer o sabugo das ideias conceber tudo isso...
Mas há de valer a pena!

Na postagem original: Tô ficando pra tia! É a conclusão que chego ao receber uma maravilhosa notícia de 3 amigos ao mesmo tempo: vão ser papais! Um miniero, um baiano e um paulista. Um blogueiro, um poeta e um jornalista. A vocês três, meus queridos, meus parabéns e uma republicação (peço desculpas aos demais, mas a ocasião exige!)... é que esta poesia que expressa o que lhes desejo diante da mais alvissareira das novidades! Felicidades! ;)

sábado, 3 de outubro de 2009

Conclusões sobre o silêncio

É destinatário e senhor dos mais belos versos que já pude compor em prosa
És detentor de todas as características subjetivas que me instigam a vida e a morte hoje
És dono e deus da minha paixão atéia e amoral


Apresentei toda minha franqueza em poesia e súplica
Expus-me inteira e completa em carne e música
Estilhacei-me enquanto a vida não me permitia um átimo de descanso ou paz


E tu?!
Tu limpas a bunda com os papéis da minha poesia...!

As cores do teu inferno

É uma pena ver tua reação amarela ao espectro multicor que se nos apresentou...
Eu esperava preto-e-branco, ou ao menos uma sensibilidade lilás...
que pudesse amainar um pouco meu vermelho tão intenso
que desse vasão e contraste ao meu espírito revolto,
hóspede e prisioneiro da patética condição humana.

Mas não, és homem mero e comum
e não o demônio que eu supunha
Então que posso esperar?
Não há o que esperar ou desejar

das cores do teu frio inferno azul...!