terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Precipitação

Eu me precipito
Condenso
Viro chuva e caio fria sobre os dias
Despenco de alturas absurdas (curto a queda)
Explodo sobre o concreto
Respingo gotículas de intensidade
Que logo evaporam... novo ciclo

In-ten-si-da-de

.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Olhos verdes dos meus olhos

Saudosa quimera já era o furor
Esse catalisador de lascívia e ternura
Sintetizador de sentimentos e sensações

Carregava o fardo de dias pardos
Ocres e acinzentados
Cobrindo de poeira e mofo a beleza de gostar
Secando o viço latejante do sorriso aberto

Então me veio seu olhar
Sorrateiro e a miúde
Se esgueirando entre montanhas e muros
Sem estrondo, sem pressa, sem rumo
Como uma aventura (inteiramente nova...!)

E foi ali
No profundo dos olhos verdes dos meus olhos
Que encontrei o furor perdido
(Arrebatada, assisto meu vermelho se rir por inteiro em ti)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Banzo

Hoje acordei em desespero, em meio a furacões, trovoadas e muito fogo
Quisera um colo de mãe ou irmã
Quisera tempo para pedir colo
Quisera ser forte para estar ao lado
Abomino minha própria ausência enquanto desejo dias melhores
Viva as lembranças da infância!
Que elas nos façam mais crianças em meio às atribulações de um cotidiano pouco amistoso
Mas curta esse banzo, meu amor... só por hoje
Amanhã é dia de renovação

domingo, 8 de abril de 2012

Quando virei dona de mim
perdi uma parte do mundo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Beirada do mundo

A vida é mais viva nas torrentes que desembocam na beirada do mundo
Corregozinho, que n'outras terras nada valeria, ganha força em rio de quedas poderosas
O mundo parece extremo

Uma nova velha história faísca o circuito em curto na beiradinha do planeta
Ideias em movimento energizam a pluralidade dos dias
O mundo parece síntese

As ideias ganham força e a vida toma concretude na energia das águas
E o processo supera a forma à medida que a desenha
O mundo parece possível...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Concreto

Tenho saudade dos meus sentimentos
Dos mais pulsantes aos mais opacos
débeis e vexaminosos
Tenho saudade de mim

Apartada dos vermelhos e ocres das minhas febres
sigo pelos dias ansiosa e vazia
como uma moribunda saudável...
Apartada de mim

Busco refúgio na sordidez humana
Tão mais bela quanto mais estúpida
destilando teorias e vilezas num mesmo discurso redentor
Refugio-me em mim

E quando finalmente se me apresenta o abismo
despenco furiosamente rumo à liberdade
Com a cabeça à frente do corpo delicio-me na queda
mesmo sabendo que encontrarei concreto no fim

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

...

Eu não sou constante
Não sou reta, sou instante

sábado, 16 de julho de 2011

Rasante


Quando te falei para voar, queria mesmo era ir contigo... para bem longe de todo esse peso que acinzenta a vida e amarela o sorriso.

Mas ficaria feliz em apenas admirar o teu voo e torcer que ele fosse libertador para ti - caso a minha companhia fosse bagagem ruim de carregar.

Às duas alternativas, criaste uma terceira. Resolveste voar escondido... e de lá de cima despejaste um bom naco da tua podridão sobre a cabeça de quem te impulsionou.

Espero que entre rasantes e planagens consiga encontrar teu rumo e a viagem te faça melhor do que és hoje.

Quanto a mim, caso interesse, ainda estou tentando me livrar do mau cheiro que deixaste... para em seguida desenhar com liberdade o meu próprio plano de voo.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Desabafo

A minha tristeza é melancólica
como a dos velhos
Não soluça em prantos desesperados
não comove

Cultivo minha tristeza sobre o travesseiro
longe de desconcertadas palavras de conforto
Todo o resto, é só sorrisos
que a ninguém interessa meu pesar

A minha tristeza é melancólica
doída e amiúde...
Mas é também secreta
Guardada a sete chaves sob a hipocrisia dos dias