quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Falecimentos

Cada minuto na fila de banco
é um verso que morre na minha alma

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Semi-reta

Há que se ter leveza
Porque a beleza é um equilíbrio delicado
Inebria, encanta, envolve
e se esvai sem mais porquê

Há que se ter malícia
Porque a vida é jogo sem regras
Arrebata a gente numa direção
Só para depois desafazer e refazer tudo de novo

Há que se ter firmeza
Sobretudo quando a fragilidade impera
Porque franqueza é artigo raro
e qualquer desatenção... gota d'água

Há que se ter serenidade
Uma vez que não sou reta
nem constante
pois há pouco descobri que não caibo num instante

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Urgência

Meu desejo é urgente
Impaciente
E um tanto intenso.

Não tenho talento para amenidades
Temperaturas mornas
Ou velocidades lentas.

Meu tempo é agora
Minha matéria é o instante...
(a eternidade contida em cada instante)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Razão profunda


Ando acordando muito cedo
para concluir que já é tarde demais

Tenho lutado muito
para me conformar com qualquer saída

Ando muito próxima da vida
para me iludir com qualquer utopia

Antes a radicalidade.
Não aquela tão violenta quanto pueril...

Anseio chegar verdadeiramente à raiz
Extirpar as pragas, limpar os venenos da terra
Florescer frondosa

E as raízes... bem...
quando a terra é firme
elas não costumam estar na superfície

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Onde foram parar
as horas que eu não vi passar?

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Desmedido

Pulsa, bombeia, sustenta
Ritmado
Desmedido

Pulsa incessantemente
Em ritmo constante
Qual a engrenagem das horas (implacável)

Bombeia para dar vigor
Fluindo por veias ansiosas
Agindo sobre nervos em festa

Sustenta o instante desmedido
Explosivo, incandescente.
E tudo se acalma morno, macio...

E assim, no ritmo do caos,
O pulsar da vida
é tornado desmedido das horas

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Pra você

Eu não sei escrever versos pra você
Minha poesia sempre se alimentou de paixões
Intimidade, cumplicidade
Às favas com a moral!
Compus desejos em estrofes
Ansiei viver todo o lirismo
Mil vezes.
Fazia versos por carinho,
Como homenagem...
Até por saudade
Expandia-me em poesia quando a intensidade extrapolava meus sentidos
Desenhava expectros multicores em prosa
Rimava fluidos e fluxos inebriantes
Já escrevi sobre delicadezas também...
Mas pra você, não sei escrever
Talvez seja hora de parar de tentar.

sábado, 24 de setembro de 2016

Às vezes

Felicidade às vezes é desse jeito
Delicada e amiúde
Em tom de segredo
Assim leve
Meio distraída

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sobre nuvens

Olhei pra baixo
E só vi névoa
Talvez você quisesse se perder em meio à neblina...
(também tive vontade de me misturar às nuvens)
Perdi você ali.

Olhei de novo
Não lhe vi
Mas desta vez achei o mundo magnífico
O mundo... ele é muito maior do que os nossos sentimentos.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Ausência

Eu não sou constante
Sou movida por ansiedades,
esse motor de vontades
que ignora o tempo,
o caminho a percorrer
e outras inconveniências

Eu sou instante
Então nossos versos permanecem em suspenso.

Qualquer dia os concretizamos
Ou os contemplamos na ausência,
que ela também é poesia